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CASA PVC

Autores: Bruno Braga, Bruno Perdigão e Igor Ribeiro.

Colaboradores: Luiz Cattony, Leonardo Ribeiro e Lucile Granger.

Marechal Deodoro - AL, 2013

*Menção Honrosa no Concurso Casa PVC  promovido pela Brasken e IAB-AL.

 

Um projeto de modelo de habitação sustentável que utilize o plástico como matéria-prima global. Desta descrição inicial do objeto do concurso é possível tirar três diretrizes claras para o projeto: a flexibilidade e replicabilidade do modelo, a materialidade e aplicabilidade do uso do plástico de forma global no projeto e o caráter social, econômico e ecológico da sustentabilidade da proposta.

FLEXIBILIDADE E REPLICABILIDADE

Na concepção de uma unidade residencial que servirá de modelo é preciso levar em conta alguns aspectos essenciais como flexibilidade de implantação, racionalidade construtiva e qualidade espacial da unidade e do possível conjunto quando disposto em série.

O programa foi desenvolvido dentro de uma malha quadrada de 8,00 x 8,00 metros, onde foram dispostos dois blocos principais separados por um pátio central. No primeiro, ficam as áreas comuns da casa, como estar, jantar e cozinha. No segundo bloco, mais reservado, ficam os quartos. O pátio, que abriga o banheiro,  serve como abertura para a casa, facilitando ventilação e iluminação naturais. A casa que, por suas dimensões reduzidas, poderia ficar sufocante e confinada, ganha amplitude e área útil.

Seguindo as normas técnicas de acessibilidade universal, os ambientes foram dimensionados a partir de parâmetros de referência para movimentação e rotação da cadeira de rodas, permitindo o acesso e convivência no interior e exterior da habitação.

Como não se sabe o local de implantação das futuras casas, sua modulação permite que ela seja rotacionada, adequando-se melhor a cada situação. Dessa forma, o mesmo projeto permite as mais diversas conformações e orientações.

Numa eventual produção em série da unidade, há, ainda, o artifício das esquadrias móveis de PVC utilizadas na fachada principal, que podem facilmente mudar de tonalidade nas cores e trazer variação ao conjunto, quebrando a monotonia da repetição das casas em sequência. Assim, sem mudar os elementos essenciais de conformação do edifício, abre-se a possibilidade de individualizar as casas de acordo com cada morador.

 

ESTRUTURA E MATERIALIDADE

O desafio de pensar uma casa que utiliza o plástico como matéria-prima global se dá tanto ao evitar que o resultado final seja apenas uma montagem de elementos industrializados, como na busca de uma materialidade adequada ao programa e flexível por se tratar de um modelo a ser repetido.

No que se refere aos elementos do edifício, era preciso que houvesse uma unidade e coerência no projeto como um todo. Unindo a isto à ideia de buscar a materialidade da casa (interna e externa) e de flexibilizar e racionalizar seus elementos, buscou-se trabalhar apenas com o essencial, reduzindo o número de elementos e trazendo simplicidade e comodidade ao resultado final.

As paredes de concreto PVC, sóbrias e racionais, servem de estrutura e vedação da casa e atuam em conjunto com as esquadrias móveis de PVC com cores que marcam a fachada e individualizam a casa, e com o mobiliário feito de canos também coloridos do mesmo material, de fácil execução, baixo custo e grande flexibilidade e durabilidade. Assim, os elementos da casa se complementam gerando um conjunto coerente, racional e humano, como deve ser a experiência do habitar.

 

SUSTENTABILIDADE COMO CONSEQUÊNCIA

Como buscar recursos de sustentabilidade em uma casa tão pequena? Acima de tudo, é preciso entender a sustentabilidade da proposta não como um objetivo primordial, mas como consequência de todo este processo rigoroso que tenta incorporar o máximo de variáveis na elaboração da pergunta correta a ser respondida. A sustentabilidade não apenas na busca do ecologicamente correto, mas também do economicamente viável e do socialmente justo.

As medidas mais ativas neste sentido se dão, principalmente, nos materiais utilizados e no processo construtivo. O módulo quadrado dentro do qual a casa se desenvolve parte das placas de concreto PVC, maximizando seu aproveitando e minimizando os desperdícios da obra, principalmente se considerarmos a possibilidade da unidade vir a ser replicada futuramente. A fim de firmar de vez o plástico como um material a ser utilizado na construção civil, é preciso reforçar ao máximo suas possibilidades e o projeto deve cumprir, justamente, este papel. A coberta foi desenhada de modo a facilitar a instalação de placas para aquecimento solar, bem como a captação das águas de chuva para reuso, ficando armazenadas em uma cisterna localizada no pátio central, facilitando futuras manutenções.

É preciso, também, considerar que, mesmo buscando as novas tecnologias e materiais industrializados, faz-se necessário voltar aos aspectos mais básicos de conforto ambiental para se ter um projeto, de fato, sustentável. Assim, o pátio cumpre papel fundamental, possibilitando uma arquitetura que, mesmo concisa, é aberta e permite a circulação do ar. A iluminação também é feita sempre como cuidado, para evitar o excesso de calor, e as esquadrias, mesmo sendo de PVC, fazem referência às venezianas de madeira, tão características do clima quente e úmido, que protege do sol e permite a ventilação.

Uma arquitetura simples, aberta, racional. Um modelo de unidade compacto e preciso. Uma casa de 60 metros quadrados que busca atender a uma demanda emergente e se faz sustentável não apenas por ser ecologicamente correta em seus materiais e processo construtivo, mas também na sua viabilidade econômica e pelo imenso valor social que pode vir a ter.